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12-FEV-2026

Juazeiro do Norte tem história construída pelo comércio e empreendedorismo

Por Ascom 12/02/2026 #desenvolvimentoeconomico

A história do comércio de Juazeiro do Norte se confunde com a própria história da cidade. Antes de se tornar um dos maiores centros econômicos do interior do Nordeste, Juazeiro do Norte nasceu como um pequeno ponto de parada no sertão cearense, onde tropeiros descansavam à sombra dos juazeiros enquanto seguiam pelas estradas que ligavam Missão Velha ao Crato. Foi nesse cenário simples que, em 1827, teve início a formação do povoado, a partir da construção de uma pequena capela de fazenda, dedicada à Nossa Senhora das Dores.

Até o final do século XIX, Juazeiro do Norte mantinha uma economia essencialmente agrícola, baseada no cultivo de milho, feijão e algodão, com pequenas trocas comerciais realizadas de forma pontual. Essa realidade começa a mudar de maneira decisiva em 1872, quando o Padre Cícero Romão Batista se fixa definitivamente no povoado. Sua presença transformaria não apenas a vida religiosa, mas também a base econômica local.

O marco que projetou a cidade para além das fronteiras regionais ocorreu em 1889, com o episódio conhecido como o Milagre da Hóstia. O fato ganhou grande repercussão na imprensa regional e nacional, atraindo milhares de fiéis em busca de fé, acolhimento e orientação espiritual. A partir desse momento, as migrações se intensificaram e passaram a moldar profundamente a dinâmica econômica da cidade. De uma população de 2.000 mil pessoas em 1875 a uma população de 22.067 em 1920.

Diferentemente de outras regiões do sertão, Juazeiro passou a receber continuamente novos moradores. Muitos romeiros, ao chegarem, decidiam permanecer, atraídos pelas oportunidades de trabalho e pela proteção espiritual do Padre Cícero. Em meio às secas recorrentes e à escassez de mão de obra no sertão, Juazeiro se destacou por acumular capital humano, tornando-se um raro exemplo de crescimento populacional contínuo na região.

Preocupado com a sobrevivência digna dos recém-chegados, o Padre Cícero estimulou o desenvolvimento do trabalho artesanal e dos pequenos ofícios, difundindo a ideia de que "cada sala fosse um oratório e cada quintal, uma oficina". Assim surgiram dezenas, depois centenas, de oficinas artesanais domiciliares, voltadas tanto para a produção de bens de uso cotidiano como calçados, utensílios e ferramentas, quanto para a confecção de bens simbólicos ligados à fé, como imagens sacras, velas e objetos religiosos.

Esse modelo produtivo fez com que o município se destacasse, ainda nas primeiras décadas do século XX, como uma verdadeira "cidade-oficina". O comércio cresceu junto com o artesanato, impulsionado pelas feiras, pelas romarias e pela circulação constante de pessoas vindas de diversas partes do Nordeste. O trabalho artesanal tornou-se a principal atividade econômica local, estruturando uma rede comercial sólida, dinâmica e diversificada.

Com o passar do tempo, o comércio se expandiu para além do artesanato e artigos religiosos. O surgimento de bodegas, armazéns, lojas de tecido e mercados acompanhou o crescimento urbano e populacional. Mesmo após a morte do Padre Cícero, em 1934, Juazeiro manteve seu ritmo de expansão, afirmando-se como polo regional de comércio, serviços e, posteriormente, turismo religioso.

Agostinho Balmes Odísio, escultor italiano formado em Belas Artes, registrou em suas memórias o cotidiano de Juazeiro do Norte logo após a morte de Padre Cícero (1934), destacando a transição da cidade, a manutenção da devoção popular e a produção de arte sacra. Sua obra Memórias sobre Juazeiro do Padre Cícero é um relato essencial para o período, descrevendo o ambiente socioeconômico e o comércio local de artigos religiosos.

Em seus relatos, Agostinho aponta que, após a morte do Padre Cícero, a cidade deixou de ser apenas a morada do Padrinho, passando a contemplar em si diversos outros significados. Transformou-se, com o tempo, em um local de recordação, de onde emanava a presença do sacerdote mesmo após a sua morte. Era uma terra santa, uma meca sertaneja.

Em Juazeiro, Odísio descreveu as feiras aos sábados, com seus vendedores de rapaduras, carne seca, peixe salgado, cereais, farinha, frutas e sal. As barracas de "gelada", assim como o comércio de café e alimentos, não foram esquecidos. As vendas de calçados, objetos de barro, artigos de palha, redes, aves, ovos e bugigangas também estão presentes.

O memorialista aproveitou para fotografar todos esses aspectos do comércio, não deixando de lado as bancas de jogos e roletas. Nos retratos capturados por ele, as ruas de Juazeiro em 1935 parecem repletas de gente.

Segundo o escultor, a feira semanal era o espaço em que a maior parte da população buscava a manutenção da vida. Este aspecto remete à ainda atual inclinação da cidade para os serviços relacionados ao comércio.

Hoje, Juazeiro do Norte é reconhecida como um dos maiores centros econômicos do Ceará, com um comércio forte, plural e resiliente, sustentado por mais de um século de tradição empreendedora e conta com a presença de entidades voltadas à promoção do desenvolvimento econômico como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) e a Associação dos Jovens Empresários (AJE). A força do comércio juazeirense nasce do trabalho, da fé e da capacidade de transformar desafios em oportunidades, valores que seguem vivos nas ruas, feiras, lojas e mercados da cidade, movimentando a economia e fortalecendo a identidade local.

Valorizar o comércio de Juazeiro do Norte é, acima de tudo, reconhecer uma história construída pelo povo, marcada pela coragem, pela criatividade e pelo espírito empreendedor que transformaram um pequeno povoado sertanejo em uma referência em desenvolvimento econômico no Nordeste, de acordo com a SUDENE, com potencial de consumo estimado de R$ 7,8 bilhões em 2025 (IPC MAPS), estoque geral de empregos formais de 56.272 (CAGED), mais de 25 mil empresas ativas (MAPA DE EMPRESAS) e com estimativas do IBGE apontando cerca de 305.531 habitantes. O comércio local tem contribuído para movimentar a economia e gerar emprego e renda.

 

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